sexta-feira, 30 de abril de 2010

Registo Nacional de Não Dadores

A legislação portuguesa assenta no conceito de doação presumida, o que significa que uma pessoa a partir do momento em que nasce adquire o estatuto de dador. Para que alguém se torne não dador, terá que por iniciativa própria ou através de alguém de direito que o represente (pais, no caso de menores) submeter ao Registo Nacional de Não Dadores os impressos próprios para objecção à colheita de órgãos disponíveis em qualquer centro de saúde. Esta objecção poderá ser total ou parcial.


O Registo Nacional de não Dadores (RENNDA) foi criado com o objectivo de viabilizar um eficaz direito de oposição à dádiva, assegurando e dando consistência ao primado da vontade e da consciência individual.


O ficheiro automatizado do RENNDA tem por finalidade organizar e manter actualizada, quanto aos cidadãos nacionais, apátridas e estrangeiros residentes em Portugal, a informação relativa à indisponibilidade para a colheita de órgãos ou tecidos.
Os estabelecimentos hospitalares públicos ou privados que procedem à colheita post mortem de tecidos ou órgãos para transplante devem, antes de iniciada a colheita, verificar, através dos gabinetes coordenadores de colheita e transplantação e dos centros de histocompatibilidade, a existência de oposição ou de restrições à dádiva constantes do RENNDA. Para tal, estão directamente ligados ao ficheiro automatizado.
A colheita de tecidos pelos institutos de medicina legal só pode ser realizada após verificação da não oposição à mesma, através de consulta do RENNDA.

Para se inscrever no Registo Nacional de Não Dadores, a pessoa em questão deve preencher o impresso próprio e entregá-lo no respectivo centro de saúde, em qualquer altura da sua vida.
Esta objecção à doação de órgãos é um processo reversível. Para anular este processo o cidadão deve submeter impressos próprios ao Registo Nacional de Não Dadores demonstrando vontade em anular a respectiva objecção.


A entidade responsável pelo ficheiro automatizado do RENNDA é a Administração Central do Sistema de Saúde, IP.

Verónica Cabreira, 30 de Abril de 2010

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Transplantes Renais

O que é um transplante renal?

O transplante renal é o procedimento médico-cirúrgico no qual um rim, que anteriormente era de outra pessoa (doador), é colocado num indivíduo cujos rins não desempenham a sua função (receptor). Este rim passa a desempenhar todas as funções dos rins originais.

Neste tipo de transplante o dador pode ser vivo ou morto (morte cerebral). No caso de dador vivo, este pode ser da família (pai, mãe, irmão, filhos), ou outra pessoa relacionada com o receptor. Todos os dadores vivos devem estar em plena consciência do acto que estão a praticar. Após serem examinados clínica e laboratorialmente e se não apresentarem nenhuma contra-indicação podem doar o rim. Algumas vezes são realizados transplantes com doador vivo não relacionado (por exemplo: esposa (o)). Nesses casos a investigação realizada é muito maior e deve haver algum grau de compatibilidade dos tecidos para não haver rejeição. É muito importante que o sangue e os tecidos do dador sejam compatíveis com os do receptor. Essa semelhança evita que o sistema de defesa imunológica do receptor estranhe o novo rim e o rejeite. Para isso, são feitos exames da tipagem sanguínea (ABO) e dos antígenios dos glóbulos brancos (HLA).
Para as pessoas cujos rins deixaram de funcionar, o transplante é uma alternativa à diálise que lhes pode salvar a vida e que além disso tem sido efectuado com êxito em pessoas de todas as idades.

O transplante é uma grande cirurgia porque o rim doado deve ser ligado aos vasos sanguíneos e às vias urinárias do receptor.

Técnicas cirúrgicas


Na doação intervivos, a nefrectomia (remoção do rim) pode ser realizada através do método convencional ou laparoscópico. As vantagens da técnica laparoscópica incluem: cirurgia menos invasiva, menor cicatriz, menor tempo de internamento hospitalar e maior aceitação de muitos doadores. As potenciais complicações associadas à nefrectomia, seja laparoscópica, seja convencional, incluem hemorragia, infecção de ferida operatória, abcessos, trombo embolismo, complicações cardíacas e óbito. Como os dadores são cuidadosamente seleccionados, as complicações graves não são frequentes, apresentando uma taxa de mortalidade de aproximadamente 1%.O rim esquerdo geralmente é o preferido para doação devido ao longo comprimento de veia renal esquerda em relação à direita. Após a nefrectomia, o rim é colocado numa solução de preservação. De seguida é implantado no receptor.
Importa dizer que, ao contrário do que a maioria das pessoas pensam, o novo rim não é implantado no lugar do rim doente. Na realidade, é criado um novo espaço, na parte acima e ao lado da bexiga, onde se torna mais fácil reconstruir as estruturas necessárias e onde consegue ficar mais protegido pelos ossos da bacia do receptor. Trata-se deste modo de uma cirurgia muito delicada sendo também necessário ligá-lo à artéria e veia do receptor e também à uretra da bexiga para que a urina possa seguir o seu destino certo.


Pós-transplante / Riscos

Após a cirurgia, iniciam-se os cuidados médicos que vão durar para toda a vida do paciente. Exames clínicos e laboratoriais são feitos diariamente durante os primeiros 15 a 20 dias para diagnosticar e prevenir as rejeições.

Relativamente às infecções, o período pós-transplante é dividido em três fases:

  • Até seis semanas após o transplante, quando as infecções são, na sua maioria, secundárias ao procedimento cirúrgico. A ferida operatória e o trato urinário são locais mais frequentes de infecções;

  • Até 6 meses, quando há predomínio das infecções oportunistas. É durante este período que o risco de desenvolver tuberculose e infecção por citomegalovírus (CMV) é mais elevado;

  • A partir dos seis meses após o transplante, quando podem ocorrer infecções semelhantes à população em geral além de infecções oportunistas. É importante salientar que os quadros infecciosos em pacientes transplantados podem ter carácter mais grave e apresentações atípicas, ou seja, diferentes dos pacientes que não tomam imunossupressores.
Existem também complicações cirúrgicas, às quais o paciente transplantado está sujeito, podendo levar ao seu internamento. As principais são: 
  • Vasculares: Trombose de artéria renal, Trombose de veia renal, linfocele (acumulação de linfa, próxima ao órgão transplantado);

  • Urológicas: Fistula urinária, obstrução urinária;

  • Outras: Hematoma de loja renal, ruptura renal, ruptura de anastomose arterial.
O período de recuperação é, em média, um mês. A duração média do internamento hospitalar é uma semana. As suturas ou clipes são removidos aproximadamente uma semana após a cirurgia. O paciente deve movimentar as pernas com frequência, para reduzir o risco de trombose venosa profunda.

Após a alta, o transplantado faz exames clínicos e laboratoriais semanalmente, durante 30 dias, e posteriormente duas vezes por mês. Os três primeiros meses são os mais difíceis e perigosos, porque é o período no qual ocorre o maior número (75%) de rejeições e complicações infecciosas.

A partir do terceiro mês, iniciam-se os exames mensais durante 6 meses. O controlo vai se espaçando conforme a evolução clínica e o estado do rim.

Nunca, sob hipótese alguma, o paciente pode interromper ou modificar a medicação, ou deixar de fazer os exames indicados. É uma obrigação para o resto da vida. Uma falha pode ser fatal. A crise de rejeição pode ocorrer a qualquer momento, mesmo após muitos anos de um transplante bem sucedido.

Apesar do uso de medicamentos supressores do sistema imunitário, costumam verificar-se um ou mais episódios de rejeição pouco depois da intervenção cirúrgica. A rejeição pode implicar retenção de líquidos e, como consequência, aumento de peso, febre, dor e inflamação na zona em que tiver sido implantado o rim. As análises de sangue podem mostrar que o funcionamento renal se está a deteriorar. Se os médicos não tiverem a certeza de que se está a verificar uma rejeição, podem efectuar uma biópsia por punção (colher um pequeno fragmento de tecido renal com uma agulha e observá-lo ao microscópio).

A incidência de cancros nos pacientes para quem se transplantou um rim é de 10 a 15 vezes mais elevada do que nas restantes pessoas. O risco de se desenvolver um cancro do sistema linfático é cerca de 30 vezes maior do que o normal, provavelmente porque o sistema imunitário está inibido

No entanto, as pessoas com rins transplantados fazem habitualmente uma vida normal e activa.

Resultados

Cerca de 90 % dos rins provenientes de dadores vivos funcionam bem um ano depois de terem sido transplantados. Durante cada um dos anos seguintes, de 3 % a 5 % desses rins entra em falência. Nos casos em que são transplantados rins de um indivíduo acabado de morrer, os resultados são igualmente bons: entre 85 % a 90 % funciona bem após 1 ano, e entre 5 % a 8 % deles falha durante cada ano subsequente. Os rins transplantados funcionam, por vezes, mais de 30 anos.


Sónia Moreira, 26 de Abril de 2010

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Feito o primeiro transplante total de cara do Mundo!!!

O primeiro transplante total de cara do Mundo foi feito no Hospital Vall d'Hebron, em Barcelona. Demorou 22 horas e envolveu 30 profissionais.

Doente recebeu um transplante de toda a pele e músculos da cara, nariz, lábios, maxilar superior, dentes e a mandíbula superior

O receptor do primeiro transplante total de cara do Mundo é um jovem que sofria de uma deformação grave, provocada por um acidente, que o impedia de respirar, pelo nariz e pela boca, de falar e de deglutir.

Feito o transplante total da cara, os médicos esperam, agora, que o doente comece "dentro de algumas semanas, a falar, a comer, a sorrir e a rir".

A previsão foi feita pelo chefe do serviço de Cirurgia Plástica e Queimados, Joan Pere Barret, que dirigiu a equipa multidisciplinar do centro hospitalar catalão que fez a intervenção, no dia 22 de Março.

O doente recebeu um transplante de toda a pele e músculos da cara, do nariz, dos lábios, do maxilar superior, todos os dentes, o palato, as bochechas e a mandíbula, por via de uma cirurgia plástica e de uma microcirurgia reparadora dos vasos sanguíneos, e encontra-se agora "bem e recupera satisfatoriamente”, explicou Barret.

Até à data, realizaram-se 11 transplantes de cara, mas todos parciais.

O procedimento de recolha de tecidos faciais terminou com a reconstrução de uma máscara com a forma da cara do paciente.Os tecidos foram colocados em líquidos de preservação, um processo idêntico ao efectuado com os órgãos em espera para ser transplantados.

Os responsáveis pela intervenção explicaram, em conferência de imprensa, que a revasculização da cara e a chegada de sangue à totalidade transplantada é "básica para o êxito do implante, um processo que se realizou com êxito".

"Não houve rejeição e substituíram-se as seguintes estruturas: maxilar, mandíbula, nariz, bochechas, mucosa, músculos e nervos e pele", detalharam fontes do hospital.

"O paciente tem cicatrizes à frente e no pescoço, mas no futuro ficarão completamente dissimuladas", garantiu Barret, recordando que os ossos da cara implantada devem adaptar-se, agora, à estrutura craniana do jovem.

O doente, depois de ter visto a sua nova cara, ficou “satisfeito”, explicaram fontes hospitalares. "Olhou-se ao espelho quando os psicólogos asseguraram que já estava preparado. Tinha passado uma semana desde a operação e reagiu bem", explicou o coordenador.

O jovem, que sofria há cinco anos de uma deformação grave, precisa no mínimo de mais dois meses, antes de ter alta clínica, apesar de os especialistas não terem apontado uma data concreta. Até lá, o doente continuará a fazer reabilitação e, depois, poderá ter "uma vida praticamente igual à que tinha antes do acidente".

Antes da intervenção cirúrgica, o homem foi submetido a uma avaliação psicológica para garantir que estava preparado para assimilar quer os possíveis riscos, quer o facto de ficar com um aspecto diferente do que tinha antes do acidente.

in edição on-line do JN  de 23 de Abril de 2010
Vanda Craveiro, em 23 de Abril de 2010