quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Novo fármaco ajuda a evitar rejeição em transplantes

Cientistas franceses e norte-americanos desenvolveram um novo medicamento que reforça o sistema imunitário, prevenindo a rejeição de órgãos transplantados. Num artigo publicado na revista Science Translational Medicine, os investigadores assinalaram que a sua aplicação poderia reduzir os altos custos de medicamentos de imunossupressão, que servem para impedir a rejeição do órgão transplantado mas que, para além de causarem graves efeitos colaterais, têm de ser aplicados durante toda a vida do receptor.


De acordo com o estudo, o factor crucial que regula a rejeição ou aceitação do órgão está representado nas células T, que controlam o processo de activação de anticorpos (CD28) e outro de inibição.



Ao bloquear a activação com um anticorpo dirigido especificamente, como o CD28, o grupo liderado pelo cientista Nicole Poirier, da Universidade de Nantes (França), conseguiu manter intacto o de inibição. Diante do processo que alterou o sistema imunitário, foi possível que o corpo aceitasse o órgão transplantado sem maiores alterações, indicou o estudo.



O anticorpo foi testado em transplantes de coração e fígado realizados em macacos. A cada um dos primatas foram administrados medicamentos convencionais de imunossupressão com e sem o anticorpo CD28. Durante os testes, que tiveram a participação de investigadores da Universidade de Maryland (EUA), os cientistas descobriram que, três meses depois, o CD28 tinha impedido a rejeição orgânica e crónica do órgão entre os macacos.

Ao aumentar a acção dos medicamentos de imunossupressão, os agentes CD28 permitiram a aplicação de doses menos tóxicas, indicou o estudo. Além disso, a sua administração conseguiu manter um grande número de células T para assegurar a saúde do sistema imunitário.
Fonte de Informação: Ciência Hoje
Vanda Craveiro, em 10 de Fevereiro de 2010

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Transplantes de rins com tumores

Cirurgiões norte-americanos realizaram, com sucesso, transplantes de rins com tumores cancerosos que foram retirados antes do transplante e que foram implantados em pacientes em que se tinha esgotado a possibilidade de permanecerem em espera por um órgão saudável.
O procedimento polémico foi realizado em cinco pacientes na Escola de Medicina da University of Maryland, em Baltimore, EUA.


Os dadores e receptores dos órgãos foram informados sobre a existência da doença nos rins a transplantar para que ficassem cientes dos riscos envolvidos, inclusive o de reincidência de cancro.

Na experiência, os rins retirados dos dadores foram preparados para o transplante, tendo-lhes sido removidos todos os vestígios visíveis de cancro - cinco tumores com tamanhos entre 1 cm e 2,3 cm, três deles malignos e dois benignos - antes de serem implantados nos receptores.
Desde a realização dos transplantes, um dos pacientes morreu na sequência de doença não associada ao cancro, mas os outros quatro estão bem, acumulando já entre nove e 41 meses de vida após o transplante.


O líder da equipa de cirurgiões, Michael Phelan, reconheceu à BBC que este tipo de transplante "é polémico e considerado de alto risco", referindo, no entanto, que "o estudo traz provas de que os rins de dadores com tumores renais oferecem uma solução secundária, mas possível, para a actual falta de órgãos".

Fonte: Journal of the British Association of Urological Surgeons - em 16 de Dezembro de 2009

Verónica Cabreira, 5 de Fevereiro de 2010

Leite de coelha geneticamente modificado é nova terapia

Investigadores holandeses descobriram que leite de coelha geneticamente modificado pode ter efeitos positivos para quem sofre de doenças cardiovasculares. A notícia foi divulgada no diário britânico «The Times».




Há uma exploração na Holanda que já está a produzir este tipo de leite. Os coelhos foram geneticamente modificados para o seu leite incluir um gene humano e o conteúdo de uma proteína - o inibidor C1, que ajuda a controlar inflamações no corpo.



Até agora, esta proteína era extraída do sangue humano e de outros animais. Mas esse processo era muito caro e arriscado. Havia o perigo de infecção com o vírus da sida ou com a CJD (variantes humana da doença das vacas loucas).



O leite de coelha foi já experimentado em 200 pacientes. Provou-se que ajuda a prevenir a rejeição em transplantes de órgãos e ajuda na regeneração do tecido danificado após um acidente vascular cerebral e ataques cardíacos.



Serve também para tratar doenças hereditárias do sistema imunitário, tais como angioedema, causada pela falta de C1.



Os investigadores acreditam que esta terapia pode transformar positivamente a vida dos pacientes. Mas para isso é preciso esperar a luz verde dos reguladores sanitários europeus.



Se tudo correr como previsto, a comercialização começa no final deste ano.


Fonte de Informação: Ciência Hoje - http://www.cienciahoje.pt
Vanda Craveiro, em 5 de Fevereiro de 2010